Os desafios do transporte coletivo e a importância da experiência do usuário.

Veja como o design e a tecnologia podem ser grandes aliados nos processos de planejamento para as melhorias da mobilidade urbana.

Escrito por: Equipe de conteúdos Flip

Como é a sua vida com o transporte coletivo?

Você utiliza algum tipo de veículo para se locomover no seu dia a dia, como o transporte coletivo, bicicletas ou até mesmo aplicativos de veículos privado? Se você utiliza, ótimo, então é motivo para você ler este artigo.

Se caso você não utiliza, saiba que você é impactado da mesma maneira, aliás, até mais impactado.

Com o crescimento da população urbana, criar estratégias que facilitem a logística da cidade tornou-se cada vez mais relevante e sinônimo de qualidade de vida.

Neste artigo artigo vamos discutir como o design e a tecnologia são fundamentais para o desenvolvimento e progresso da mobilidade urbana, e consequentemente, na melhora da qualidade de vida da população através dos  aperfeiçoamentos no sistema dos meios de transportes, do trânsito, das vias que se configuram de acordo com suas influências geográficas, sociais, culturais e econômicas.

Mobilidade urbana e realidades

Tanto no Brasil como em outros países do mundo, as cidades cresceram e na região central concentrou-se o maior número de oportunidades, socialização, enriquecimento cultural e de emprego.

Consequentemente, os imóveis destas regiões tiveram uma grande valorização e as moradias das pessoas com menor renda foram levadas à periferia, influenciando diretamente no tempo e dinheiro para deslocar-se, e consequentemente a demanda por transporte público e sua qualidade no atendimento cresceu cada vez mais.

Para atender essa busca, a tecnologia juntamente com o design, foram se aperfeiçoando e atuando para atender as demandas sociais e tornar a rede de transporte mais acessível, repensando os modelos vigentes e projetando novas soluções em produtos, serviços e negócios.

Buscando satisfazer as necessidades dos usuários e resolver problemas de ordem funcional e ecológica com o objetivo final de construir um mundo melhor e promover mudanças sociais.

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Profissionais do design e engajamento

Para entender um pouco mais sobre a atuação do design na mobilidade urbana, conversei com o Júlio César designer da Flip  e já realizou alguns projetos voltados para o aperfeiçoamento da mobilidade urbana em Belo Horizonte – MG.

“Minha atuação profissional atualmente está relacionada à mobilidade urbana em alguns projetos em que eu atuo para a Flip. Um de nossos clientes é uma empresa que desenvolve softwares e hardwares para o mercado de transporte coletivo.”

Eu posso dizer que minhas atividades influenciam diretamente, uma vez que meu papel neste contexto é desenhar soluções que atendam tanto aos usuários do metrô e ônibus, quanto ao backoffice, ou seja, projetos de design que atendam às pessoas que trabalham no administrativo dos coletivos.

Cada decisão, cada projeto, cada entrega, tem, por natureza, entregar a melhor experiência para todas as pessoas”.

Como estão os centros urbanos?

Nos principais centros urbanos do Brasil e do mundo já existem iniciativas que atendem as necessidades dos usuários de transporte coletivo de forma alternativa como os sistemas de compartilhamento de bicicletas Velib, em Paris desde 2007; CitiBike, em Nova Iorque desde 2013, patrocinado pelo CitiBank; e o Bike BH, inaugurado em Belo Horizonte também em 2013.

Para compartilhamento de carros, existem a Zazcar em São Paulo, o aplicativo BlaBlaCar, criado em 2003 e presente em mais de 20 países, através dele os inscritos podem oferecer ou solicitar caronas, por um valor financeiro combinado previamente.

Também o site Caronetas viabiliza a troca de informação entre pessoas com o mesmo destino, fazendo uso de carro, táxi ou mesmo trajetos de bicicleta.

E para quem utiliza diariamente as linhas municipais de ônibus, uma ferramenta muito útil é o Moovit, que utiliza informações em tempo real de seus usuários e disponibiliza as melhores rotas para seu destino, quais linhas passam pela região desejada e também informa o tempo de chegada do ônibus.

O que o usuário de transporte coletivo pensa?

O José Aloizio é técnico administrativo no CEFET e utiliza o transporte coletivo todos os dias para ir trabalhar. Nós batemos um papo e ele me contou como percebe a tecnologia e o design influenciando em sua locomoção diária pela cidade.

“Sou usuário diário de transporte público e vejo que a tecnologia e o design são essenciais para otimizar a locomoção. Tendo em vista que tais áreas da ciência farão um estudo mais logístico, e para o passageiro, mais ergonômico, com a preocupação sempre em adequar a finalidade (locomoção) com a celeridade e presteza no atendimento do serviço.”

Uma importante pauta também trabalhada pelos designers que atuam na mobilidade urbana são as condições ambientais críticas que o planeta enfrenta na  sociedade do consumo em que vivemos.

O que antes eram consideradas ameaças distantes, agora vem se tornando realidade, e isto faz com que o transporte coletivo se coloque ainda mais nas pautas de resoluções.

Nesta nova forma proposta pelo design, o ser humano é o centro dos projetos, no lugar dos produtos, e o design assume a responsabilidade de resolver problemas trazendo melhoria na qualidade de vida.

E José Aloizio ainda diz mais:

“O que vejo hoje, principalmente em Belo Horizonte, foi que alocaram recursos de forma nem tão eficiente, pois um investimento que prezo ser de suma importância é a ampliação e modernização do metrô de BH.

Aliás, transporte barato, rápido, não polui e bem mais eficiente, pois não atrapalha o trânsito de carros, ônibus e ainda se locomove sem uso de combustíveis fósseis”.

De volta ao design

Voltando a minha conversa com Júlio César, designer da Flip, pergunto a ele de que forma os designers poderiam passar a ter mais atuação sobre a mobilidade urbana, considerando o que ele conhece e vivencia o mover-se pela cidade, e a sua compreensão sobre design, como ele enxerga a atuação dos profissionais de design e que o leva a ter esta percepção.

“Na minha opinião, a comunidade de designers precisam se unir para criarmos soluções mais coerentes para quem utiliza o transporte coletivo. Os desafios são inúmeros, não faltam oportunidades de melhorias. Eu acredito que podemos fazer mais, sem a dependência de governos.”

E mais

Fazer, criar, experimentar, tentar melhorar a experiência como usuário de todo mundo.Pela minha experiência como usuário do transporte coletivo, acredito que estamos atuando pouco neste setor.

O modelo de negócio deste segmento é muito fechado e ainda dependente de política e empresariado. Mas, ainda sim, acredito que podemos atuar para termos melhor qualidade de vida e o design pode ajudar muito nisso”.

A realidade brasileira

No Brasil, o design ainda é visto de forma segregada da realidade cotidiana como um item de luxo, algo dispensável, supérfluo.

A esta percepção também podemos considerar uma necessidade de haver o aumento da cultura de design no país, como o conhecimento sobre a área e sobre a importância das contribuições que o design pode trazer para diversos setores, resultando no maior reconhecimento do profissional.

Nos projetos de mobilidade urbana, a atuação dos designers se destacam de forma útil e relevante nos momentos iniciais do planejamento, devido sua visão ampla e sistêmica, que combinadas com suas percepções sobre as necessidades dos usuários.

 

Como é a sua experiência?

 

Então, os designers ajudam a interpretar dados e contribuem para que novas linhas de metrô ou de ônibus sejam definidas em locais que atendam as reais necessidades dos usuários.

O designer também pode colaborar com arquitetos e engenheiros na definição de estações, oferecendo assim, insights e soluções para eventuais problemas e conflitos de interesse que envolvem a fase inicial do planejamento como fatores econômicos, ecológicos, os indivíduos, as empresas e outros.

Muito além de apenas pensar em uma solução

E para além de sua colaboração em trabalhos conjuntos, o envolvimento do designer neste processo o auxilia a desenvolver seu próprio trabalho na etapa final quando atua diretamente sobre a estação e seu entorno.

Ao conhecer os motivos da definição daquela linha e estação sua visão se amplia sobre aquela localização, sobre as intenções de projeto, resultando em uma melhor compreensão das necessidades a serem atendidas.

Se o designer não participa do processo, terá menos informações em mãos para trabalhar.

Ao incluir o designer no processo de planejamento, execução e gestão das novas soluções de mobilidade, ele trará consigo sua experiência de entender a ótica do consumidor, cliente, cidadão, enxergando o contexto da usabilidade, o acesso às oportunidades, e não somente o ir e vir, o chegar mais rápido.

Enxergar que há mais coisas envolvidas, como a qualidade do trajeto, por exemplo.

Pessoas e necessidades

Os projetos desenvolvidos por profissionais de design nos rodeiam cotidianamente, e mesmo que sua participação nos cases de mobilidade e planejamento urbano ainda não tenham alcançado o patamar necessário, suas atuações geram impactos positivos, principalmente no quesito acessibilidade.

Apesar disso, segundo o professor de música, José Aloizio, que ao final de nossa conversa o pergunto como ele percebe o design sendo colocado em prática e o que o faz ter essa percepção.

Um pensamento

“Quando vejo um elevador de acesso a cadeirante, já visualizo um designer, quando vejo uma placa em aeroporto da qual não preciso ler para entender, já penso em um novamente, eles estão desenvolvendo vários trabalhos que auxiliam na locomoção:

Elevador para cadeirantes, placas de sinalização, melhorar o acesso com rampas bem projetadas e curvas bem pensadas, projetos de cores para chamar a atenção do pedestre, do usuário de ônibus.

Acredito que são vários os exemplos, pois eles têm que adequar a mobilidade urbana com a estética de forma otimizada para facilitar o acesso de deficientes, trazer mais espaço e, ao mesmo tempo, sem poluir visualmente o usuário, projetar de forma clara e objetiva as indicações de informações a serem compreendidas de forma intuitiva e rápida”.

Conclusão

É inegável que a gestão do design se mostra útil atuando operacionalmente em projetos de produtos e sinalizações adequadas às demandas dos usuários, gerindo departamentos que atuam na busca de um direcionamento inovador para empresas ligadas à mobilidade.

O design ainda não atingiu sua capacidade máxima de influência, mesmo intervindo em locais nos quais desenvolve estratégias relacionadas à mobilidade urbana, sua atuação ainda pode ser potencializada!

Mas para que isso aconteça é necessário o reconhecimento de suas aptidões para que auxiliem na recapitulação do sistema vigente de mobilidade, proporcionando ao usuário mais qualidade na locomoção.

Como é a sua experiência? 

Equipe de conteúdos Flip

A Equipe de conteúdos da Flip é formada por pessoas com diferentes talentos. Aqui, escrevemos sobre como o design e a tecnologia impactam em nossas vidas.
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